Deja-vü

Deja-vü

Projeto Deja-vü (2012-2013)

‘   e que nossos amores sejam como

                  a vespa e a orquídea’.                    

Esta proposta pesquisou como viabilizar uma criação artística que não se propõe a re-a-presentar mesmo qualquer coisa, mas de criar, dar à luz uma realidade ainda por vir. Constitui-se em zonas de intensidades e potencialidades. Assim nos agenciamos com a idéia de acontecimento*. Criar uma obra/acontecimento. Portanto uma questão importante para pensarmos sua efetuação foi a idéia da criação das danças como aquilo que acontece no acontecimento e o desejo sua capacidade produtiva, enquanto energia transformadora. Ela tem o sentido do encontro dos corpos. O corpo é e está no presente, e a dança/acontecimento o que traz para o mundo o que o mundo não tem, traz o futuro e o passado. * (G. Deleuze- lógica do sentido)

‘Dentro do Passado está o Futuro, e dentro do Futuro está o passado…

deverá haver, entre eles, algo que atravesse tanto um, como o outro.

[...] O dia se torna ainda mais iluminado, e a noite mais enegrecida.

Dentro da loucura se processa a Criação, fazendo surgir um passado

que carrega um Futuro. É meu desejo ardente sempre poder tocar a

loucura. O Presente é uma passagem infinita que liga o Passado e o

Futuro. E eu estou parado ali. O Futuro carrega o Passado   e   o

Passado carrega o Futuro. E eu estou estacionado, quieto, em meio a

tudo isto. Butoh é o ficar estacionado, é o primeiro choro da criança

que vem ao mundo.’ (Kasuo Ohno)

 

A OBRA/ACONTECIMENTO

Entendemos a Obra como um acontecimento não para ser assistido, mas para ser deglutido, ruminado. Como um mapa composto com zonas de intensidades. Um mapa sempre desmontável, conectável, reversível, modificável, com múltiplas entradas e saídas, a – centrado, não hierárquico e não significante. Mapa composto por velocidades e afetos. “As zonas são regiões contínuas de intensidades, vibrando sobre elas mesmas e que se desenvolvem evitando toda a orientação sobre um ponto culminante ou em direção a uma finalidade. Puro agenciamento de desejos. Elas se conectam umas com as outras, de um ponto qualquer a outro, e cada um de seus traços pode colocar em jogo um regime de signos diferentes”*. As danças acontecem nestas zonas a partir de um ponto qualquer. Dança que não tem começo nem fim, mas sempre um meio pelo qual cresce e transborda. Nem de cima para baixo ou de baixo para cima ou mesmo da esquerda para a direita ou inversamente. Não tem sujeito e nem objeto. Como uma memória curta, procedendo por variação, expansão, conquista, captura. Picada. Unicamente definida por uma circulação de estados (fluxos e intensidades). Não imita nada. Plena de movimentos. Não deslocamentos. Coreografia sem coreografias. Puro devir. Acontecendo em ato, afetando e sendo afetada. Jogo. Multiplicidade. Não uma dança justa, mas Justo uma dança. O lugar onde as coisas adquirem velocidade. Riacho sem início nem fim.   (G. Deleuze, Mil Platôs)

 

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