SIMBOLO DO PROJETO- EM JPG

Espaços Outros

O Viver núcleo de dança vem ao longo de seus 15 anos de existência desenvolvendo uma linguagem artística que se origina do encontro que José Maria Carvalho vem promovendo entre princípios da dança butô trazida ao Brasil por Takao Kusuno, e princípios e procedimentos desenvolvidos pelo núcleo para a criação de uma linguagem em dança, que só se torna possível na produção de um corpo intenso, corpo atravessado por fluxos e intensidades e produtor de ‘gestus’, fundamental para pensarmos uma dança que fosse expressão de afetos e não representação de sentimentos ou de qualquer outra coisa. Vem sendo desenvolvido através de um longo processo de experimentações, mas também com o estudo e aprofundamento de abordagens Somáticas em ressonância com o pensamento e conceitos de alguns pensadores da vida: filósofos, artistas do cinema, literatura, pintura etc, e que tem nos permitido pensar a dança como produção de pensamento. Nos últimos dois trabalhos: Deja-vu (2011/12) e Desobra_Deja-vü (2013/14) viemos desenvolvendo procedimentos para a pesquisa do que seria uma dança no tempo, uma dança/tempo. Os poemas/dança como ‘…uma pura flor do vazio…, um acontecimento na linha infinita do tempo: pura expressão de afetos`. No atual projetouma nova questão se desdobra da anterior: 1-) qual a relação entre estas danças/acontecimento que são danças/tempo e o espaço? 2-) Espaço qual e de que natureza? Os poemas/dança serão criados a partir da pesquisa e apropriação de forças e princípios que emanam destas zonas de intensidade que chamaremos contra-espaços. Estes contra-espaços constituem-se em um novo objeto da investigação assim como as danças que deles se originarão. A dança também se fará no encontro do processo criativo de cada um com o processo dos demais criadores como uma ilha em um arquipélago. Um arquipélago se faz e se desfaz transformando-se sempre, assim pensamos o processo criativo em desenvolvimento. Como no livro de areia (Borges), a obra não possui nem primeiras e nem ultimas páginas mas somente páginas do meio e sempre nele podendo emergir novas páginas de sua virtualidade. Então, como entender que este processo criativo possa ser ao mesmo tempo ciclo e instante? ·  De um lado recomeço contínuo do que foi e por outro lado retorno instantâneo a uma espécie de foco intenso? ·  Continuação das etapas anteriores de um lado, e iteração de outro: a medida em que retoma e aprofunda procedimentos, onde os poemas/dança que daí resultam são o resultado dos que o precederam. 
Esta nova etapa da pesquisa, tem como desdobramento a criação de um novo espetáculo denominado: ’Coração Supliciado – …as sete danças da morte ‘.   ‘Trata-se de tornar-se visionário, e atingir o desconhecido através do desregramento de todos os sentidos. … mas é preciso ser-se forte. É falso dizer-se eu penso. Deveria dizer-se sou pensado. Eu é um outro. Tanto pior para a madeira que se descobre violino e zomba dos inconscientes que discreteiam sobre aquilo que pura e simplesmente ignoram. Dou-vos isto: será uma sátira como vós direis? É Poesia? Fantasia?, é o sempre. Mas, suplico-vos, não a sublinheis com o lápis nem demasiado com o pensamento – coração supliciado”. (Rimbaud. Cartas a G. Izambard)

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